A nova Doutrina Monroe de Donald Trump
- Politiza MT
- há 3 dias
- 2 min de leitura

📍A “Donroe Doctrine” em ação
A Doutrina Monroe, formulada em 1823, apenas mudou de forma. Sob Donald Trump, ela reaparece de maneira mais explícita, direta e estratégica, sendo informalmente chamada por analistas de “Donroe Doctrine” (Donald + Monroe).
O princípio permanece o mesmo, mas com linguagem do século XXI:
Nenhuma potência rival deve exercer influência estratégica no Hemisfério Ocidental.
📍Venezuela: o laboratório da nova doutrina
Para os EUA, a presença ativa de potências extra-hemisféricas - China, Rússia e Irã - na Venezuela cruza uma linha histórica sensível da Doutrina Monroe.
A Venezuela tornou-se o caso-teste dessa nova aplicação porque reúne três fatores críticos ao mesmo tempo:
•as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo;
•um regime politicamente hostil a Washington;
•forte penetração econômica, militar e tecnológica de rivais globais dos EUA.
📍Mas os EUA já são autossuficientes em petróleo. Por que a Venezuela?
A resposta não é energética, é estratégica.
O objetivo central não é garantir suprimento aos EUA, mas:
•expulsar China e Rússia do hemisfério;
•neutralizar o Irã como ator regional indireto;
•impedir que recursos estratégicos americanos sejam usados como alavanca geopolítica contra Washington.
Controlar (ou negar acesso) aos poços venezuelanos significa retirar desses países uma base de projeção de poder nas Américas.
📍O choque com a ambição chinesa
A estratégia chinesa de expansão global, especialmente por meio da Belt and Road Initiative, nova rota da seda, avançou fortemente na América do Sul na última década:
•portos,
•ferrovias,
•energia,
•telecomunicações,
•financiamento estatal.
Esse avanço bate de frente com o reposicionamento americano sob Trump, que abandona ambiguidades diplomáticas e passa a tratar a região como zona de segurança estratégica direta.
A Donroe Doctrine surge exatamente nesse ponto de fricção.
📍 O BRICS e o Sul Global, e por que isso é visto como perigoso pelos EUA
Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e outras nações do Sul Global passaram a operar não apenas como economias emergentes, mas como bloco geopolítico alternativo à ordem ocidental.
Não se trata mais só de comércio. Trata-se de arquitetura de poder.
• desafia o dólar com moedas locais, sistemas alternativos e financiamento fora do FMI
• financia sem exigir democracia, permitindo a sobrevivência de regimes autoritários
• usa infraestrutura como poder (portos, energia, telecom, logística) criando dependência
• penetra sem tropas, via contratos, dívida, dados e cadeias de suprimento
• coordena o Sul Global para bloquear o Ocidente em fóruns internacionais
• avança na América Latina, afetando hegemonia regional e segurança hemisférica
📍O recado não é só para a Venezuela
A Venezuela é o exemplo, não a exceção.
O recado implícito da nova Doutrina Monroe é claro:
“Qualquer país das Américas que permita presença estratégica de rivais globais enfrentará resposta.”
Isso vale especialmente para setores sensíveis como:
•portos e logística
•telecomunicações e dados
•energia e recursos naturais
•defesa e cooperação militar
•infraestrutura crítica e financiamento estatal estrangeiro
Não se trata apenas de ideologia, mas de controle de sistemas vitais.
Fonte: Claudia Aker @ClauAker






Comentários